Kleber Mendonça Filho volta aos cinemas com o filme que pode levar o Brasil para o Oscar.
Sinopse:
Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.
O filme é o mais fraco de toda a filmografia de Kleber Mendonça Filho; isso não significa que seja ruim. Sendo a maior produção de Kleber Mendonça Filho, tanto em público quanto em seu orçamento de 27 milhões de reais, com cenas filmadas na França e na Alemanha, me deixa extremamente feliz com o reconhecimento que está tendo. Porém, é um filme que não é tão atrativo para o público brasileiro quanto para o público internacional. O elenco consegue cativar o espectador com seu carisma, mas apenas isso. Wagner Moura atua muito bem nesse filme, mas, quando o espectador o vê, parece esperar um pouco mais da atuação dele, por tudo que estava sendo falado em festivais de cinema. Tânia Maria consegue roubar todas as cenas em que aparece, sendo extremamente divertida e carismática.

É possível que os espectadores gostem menos do filme, pois ele cria uma falsa sensação por conta do título, fazendo-os pensar que talvez seja um filme investigativo e que Wagner Moura seja o agente secreto, enquanto outras pessoas estão atrás dele. O longa possui uma belíssima direção de arte, fotografia e figurinos. A ambientação de Recife nos anos 70 está linda. É, no mínimo, curioso que a maioria das cenas seja gravada em planos abertos, sem nenhum uso de efeitos especiais. Assim, todas aquelas partes em Recife com carros da época são reais. Talvez esse seja o trabalho mais diferente do Kleber, pois parece que, de todos os curtas e filmes que ele dirigiu, “Retratos Fantasmas” é um complemento desse filme por conta dos locais da época.

Ainda assim, eu estava esperando uma coisa e recebi outra por conta do que o filme estava tentando vender. Kleber Mendonça Filho consegue fazer uma direção frenética que nem parece que se passaram quase 2 horas e 40 minutos de filme, tanto pelo mistério que constrói no passado de Marcelo quanto pelo motivo de ele ser perseguido. É um filme com múltiplas interpretações; muitas coisas ficam nas entrelinhas, extremamente sutis, que às vezes nem dá para perceber ou captar todas as analogias. Cenas como a do telegrama são extremamente bem dirigidas, tanto pela sua edição quanto pela música que combina com a cena. É um filme lento, também pela sua duração e pelas expectativas que podem ser diferentes pela forma como é contado no filme.

“O Agente Secreto” é um bom filme; porém, não é para todo mundo, tanto por suas referências culturais e seu apelo quanto por sua história. Mas, ainda assim, o longa consegue agradar pelo carisma de seu elenco.


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